Passear o Cão no Verão: Como Fazê-lo em Segurança ?
Descubra como passear o seu cão em segurança durante o verão. Dicas práticas sobre os melhores horários, proteção das patas, hidratação e sinais de alerta de golpe de calor.
O verão na Península Ibérica traz temperaturas que facilmente podem ultrapassar os 30 graus, e o que parece um passeio agradável para os donos pode tornar-se perigoso para os cães. Ao contrário dos seres humanos, os cães regulam a temperatura corporal principalmente através da respiração - e esse mecanismo tem limites.
Neste artigo, explicamos tudo o que os donos de cães precisam de saber para continuar a passear os seus animais durante o verão sem colocar a saúde deles em risco.
Por que é que o calor é tão perigoso para os cães?
Os cães não transpiram pela pele como os seres humanos. A principal forma que têm de libertar calor é através da respiração ofegante, o que os torna muito mais vulneráveis ao sobreaquecimento. Quando a temperatura ambiente é elevada e a humidade também, este mecanismo pode deixar de ser suficiente e o corpo do animal começa a aquecer de forma descontrolada.
A isso chamamos golpe de calor, e é uma emergência veterinária que pode causar danos irreversíveis nos órgãos.
As raças mais vulneráveis são as braquicefálicas - aquelas com focinho curto, como o Bulldog, o Pug, o Boxer e o Shih Tzu - mas qualquer cão pode sofrer um golpe de calor se exposto a calor excessivo, especialmente durante o esforço físico.
Qual é o melhor horário para os passeios?
A mudança mais importante a fazer no verão é ajustar os horários dos passeios. Entre junho e setembro, as temperaturas mais elevadas registam-se entre as 12h e as 17h. Este é o período a evitar.
O ideal é passear o cão de manhã, entre as 6h e as 9h, quando o pavimento ainda está fresco e a temperatura é tolerável. Ao fim do dia, a partir das 19h-20h, quando o calor começa a diminuir, os passeios voltam a ser seguros. Neste caso, deve verificar-se sempre a temperatura do asfalto antes de sair.
Uma regra simples: colocar a palma da mão no chão durante 7 segundos. Se não for possível aguentar, as patas do cão também não vão aguentar. O asfalto pode atingir temperaturas entre 60 e 70 graus quando o sol está forte, causando queimaduras graves nas almofadas plantares.
Cuidados a ter com as patas
As almofadas plantares são uma das zonas mais sensíveis do cão no verão. Para além de evitar o asfalto quente, existem outras medidas preventivas:
Deve preferir-se superfícies naturais, como terra, relva ou areia húmida. Após o passeio, é importante verificar as patas à procura de vermelhidão, bolhas ou fissuras. Existem cremes protetores específicos para patas que criam uma barreira e ajudam a hidratar.
Se o cão mostrar sinais de desconforto ao andar - levantar as patas, parar a meio do caminho ou lamber as almofadas com frequência - deve parar-se imediatamente e regressar a um local com sombra.
Hidratação: Mais importante do que parece
Um cão adulto precisa de cerca de 50 a 70 ml de água por quilo de peso corporal por dia. No verão, durante o exercício, essa necessidade aumenta significativamente.
É essencial levar sempre água fresca no passeio. Existem garrafas com bebedouros incorporados que facilitam muito esta tarefa. Deve oferecer-se água ao cão antes de sair, durante o passeio em pequenas quantidades e com frequência, e quando se regressa a casa.
Nunca se deve oferecer água muito fria a um cão sobreaquecido - o contraste brusco de temperatura pode causar problemas gástricos. Água fresca, mas não gelada, é o mais indicado.
Alimentos com elevado teor de água, como pepino ou melancia sem sementes, podem ser um complemento de hidratação, mas nunca substituem a água.
Reduzir a Intensidade do Exercício
No verão, os passeios devem ser mais curtos e menos intensos. As corridas e os jogos de busca prolongados devem ser substituídos por caminhadas tranquilas a ritmo lento. Para os cães mais ativos, as brincadeiras mais energéticas devem ser reservadas para espaços verdes, com sombra.
Devem evitar-se superfícies de areia seca ao sol ou alcatrão sem sombra. Os parques com árvores e zonas de relva são sempre a melhor escolha durante o verão.
Como reconhecer um golpe de calor?
Conhecer os sinais de alerta pode salvar a vida de um cão. É importante que os donos os tenham bem presentes antes de sair de casa.
Os primeiros sinais incluem respiração muito rápida e ofegante, salivação excessiva, gengivas e língua com uma cor vermelha intensa ou, pelo contrário, muito pálidas, e olhos vidrados.
Se o quadro progredir, podem observar-se fraqueza, descoordenação motora, vómitos e até perda de consciência.
O que fazer em caso de golpe de calor:
- Retirar o cão imediatamente do calor para um local fresco e com sombra.
- Molhar o corpo com água fresca (não gelada), especialmente a zona do pescoço.
- Oferecer pequenas quantidades de água fresca se o animal ainda estiver consciente.
- Ir imediatamente ao veterinário, mesmo que o cão pareça melhorar.
O golpe de calor é sempre uma emergência - nunca se deve esperar para ver se melhora sozinho.
Petiscos no Passeio: Sim ou Não?
Levar petiscos no passeio é uma boa forma de recompensar o cão e tornar o passeio mais motivante, especialmente para animais que precisam de reforço positivo no treino.
No verão, devem preferir-se petiscos leves e semi-húmidos fáceis de transportar. Devem evitar-se petiscos com muita gordura, que são mais difíceis de digerir com o calor, e devem ser dados sempre em pequenas quantidades.