Vai viajar com o seu gato? Veja tudo o que precisa de saber
Prepare o seu gato para que a viagem seja tranquilo para todos. Veja todas as dicas e aproveite a viagem sem preocupações.
Viajar com um gato é muito diferente de viajar com um cão. Os gatos são animais territoriais, muito ligados ao seu espaço e à sua rotina, e a maioria reage mal a mudanças de ambiente. Isso não significa que não possam viajar - significa que a preparação tem de ser ainda mais cuidadosa.
Neste artigo reunimos tudo o que precisa de saber e preparar antes de sair de casa com o seu gato.
1. Como transportar o meu gato em segurança?
A transportadora é o elemento mais importante de qualquer viagem com um gato. Ao contrário dos cães, os gatos não devem viajar com trela dentro do carro - a agitação e a desorientação podem tornar esta situação perigosa tanto para o animal como para o condutor.
A transportadora deve ser rígida, bem ventilada e do tamanho certo - o gato deve conseguir estar de pé, virar-se e deitar-se confortavelmente. Transportadoras demasiado grandes aumentam a ansiedade porque o gato não consegue apoiar-se nas paredes.
Um aspeto muitas vezes ignorado é a habituação à transportadora. Para a maioria dos gatos, a transportadora só aparece nas idas ao veterinário - o que a associa a situações de stress. O ideal é deixar a transportadora aberta em casa com alguma antecedência, colocar lá dentro uma manta com o cheiro familiar do gato e recompensá-lo com petiscos quando entrar voluntariamente. Este processo pode demorar dias ou semanas, mas faz uma diferença enorme no comportamento durante uma viagem.
De carro, a transportadora deve ser fixada com o cinto de segurança ou colocada no chão atrás do banco do condutor - um dos locais mais estáveis do veículo.
Em avião, as regras variam por companhia aérea. Gatos de pequeno porte podem geralmente viajar na cabine em bolsa de transporte aprovada. Gatos maiores ou transportadoras de dimensões superiores às permitidas viajam no porão. Confirme sempre os requisitos específicos da companhia com antecedência - há restrições de peso, dimensões e modelos de transportadora aceites.
2. Saúde e bem-estar antes de partir
Uma visita ao veterinário antes de qualquer viagem mais longa é fundamental. Além de confirmar que toda a documentação está atualizada, o veterinário pode:
Verificar se o gato está em condições de saúde adequadas para viajar - gatos idosos, com doença crónica ou em tratamento podem necessitar de cuidados especiais. Avaliar a necessidade de medicação para ansiedade ou enjoo. Os gatos tendem a reagir mais intensamente ao stress de viagem do que os cães, e em alguns casos a medicação ansiolítica pode ser a diferença entre uma viagem suportável e uma experiência traumatizante para o animal. Verificar a desparasitação interna e externa e atualizar se necessário.
Se o gato nunca viajou antes, experimente algumas viagens de carro curtas antes da viagem principal. Comece por colocar o gato na transportadora dentro do carro parado, com o motor desligado. Depois com o motor ligado. Só depois em movimento. Este processo de habituação gradual reduz significativamente a ansiedade.
3. Alimentação durante a viagem
Os gatos são animais de hábitos muito fixos e qualquer alteração na rotina alimentar pode causar stress adicional e problemas digestivos.
Evite alimentar o gato imediatamente antes de uma viagem de carro. A última refeição principal deve ser feita 3 a 4 horas antes de partir. Ao longo da viagem, ofereça apenas pequenas quantidades de água fresca - muitos gatos recusam beber durante a viagem, o que é normal, mas deve ser compensado no destino.
Mantenha a mesma ração habitual durante toda a viagem e no destino. Mudar de ração em contexto de stress aumenta o risco de problemas digestivos. Se souber que no destino não vai ter acesso à ração habitual, leve quantidade suficiente para toda a viagem mais alguns dias de reserva.
No destino, dê tempo ao gato para explorar o novo espaço antes de oferecer a refeição. Um gato muito stressado pode recusar comer nas primeiras horas - isso é normal, desde que o apetite regresse gradualmente.
4. O que levar na mala do gato
Além da documentação, há um conjunto de itens que não devem faltar:
A ração habitual, em quantidade suficiente para toda a viagem mais alguns dias de reserva. Água de casa ou água engarrafada - alguns gatos são sensíveis a diferenças no sabor da água e podem recusar beber no destino. A areia e a caixa de areia - leve a caixa habitual sempre que possível, pois o cheiro familiar é reconfortante. Uma manta ou almofada com o cheiro de casa, para colocar dentro da transportadora e no local de repouso no destino. Os brinquedos preferidos. Os medicamentos habituais, com receita médica se necessário. Uma coleira com identificação atualizada com o número de telemóvel - em caso de fuga num local desconhecido, é a forma mais rápida de ser contactado.
Uma farmácia básica de viagem para o gato deve incluir desinfetante, compressas e qualquer medicamento prescrito pelo veterinário para a viagem.
6. O gato no destino - como facilitar a adaptação
Ao contrário dos cães, que tendem a adaptar-se rapidamente a novos ambientes desde que o dono esteja presente, os gatos levam mais tempo a aceitar espaços desconhecidos.
À chegada, mantenha o gato dentro da transportadora durante alguns minutos antes de abrir. Deixe-o sair por iniciativa própria. Coloque de imediato a caixa de areia, a tigela de água e a manta familiar num local tranquilo e acessível.
Não force o gato a explorar. Deixe-o esconder-se se quiser - isso é um comportamento de coping normal. Um gato que se esconde não está necessariamente a sofrer, está apenas a processar o ambiente novo ao seu ritmo.
Se for um apartamento ou casa com varanda ou janelas, verifique que estão devidamente fechadas ou gradeadas antes de soltar o gato. Um gato desorientado num ambiente desconhecido pode tentar fugir e perder-se com muito mais facilidade do que em casa.
7. Quando não levar o gato em viagem?
Há situações em que pode ser mais adequado deixar o gato em casa ao cuidado de alguém de confiança ou numa pensão de animais, em vez de o levar em viagem:
Viagens muito curtas (fim de semana), em que o stress da deslocação supera claramente os benefícios. Gatos muito idosos, doentes ou em recuperação, para quem a viagem representa um risco acrescido. Gatos com ansiedade severa, que reagem de forma extrema a qualquer deslocação. Destinos com condições climáticas muito diferentes das habituais ou com riscos sanitários específicos.
Nestes casos, um cuidador de confiança em casa - ou uma pensão de animais de qualidade, onde o gato tenha o seu próprio espaço e a sua rotina seja respeitada ao máximo - pode ser a melhor opção para o bem-estar do animal.