O que posso cozinhar para o meu cão ?
Descubra os alimentos seguros, os cuidados na preparação, os suplementos necessários e os alimentos a evitar sempre.
Muitos tutores querem complementar a ração do seu cão com refeições caseiras, seja para lhe dar mais variedade, mais hidratação, ou simplesmente porque gostam de cozinhar para os seus animais. É possível fazer isto de forma segura, mas há cuidados importantes a ter em conta. Neste artigo explicamos o que pode cozinhar, como o fazer corretamente e o que deve evitar sempre.
Porque é que a alimentação caseira precisa de cuidado
Ao contrário dos gatos, os cães são omnívoros, o que lhes dá mais flexibilidade na dieta - conseguem aproveitar nutrientes da proteína animal, mas também de hidratos de carbono e vegetais. Ainda assim, isso não significa que qualquer refeição caseira sirva. Uma dieta cozinhada em casa, sem planeamento, tende a ficar desequilibrada em cálcio, fósforo, vitaminas e minerais essenciais, sobretudo se não incluir nenhuma fonte de cálcio equivalente à presente na ração comercial. Por isso, qualquer dieta caseira usada de forma regular, e não apenas como complemento ocasional, deve idealmente ser planeada com o apoio de um veterinário ou nutricionista animal.
Alimentos seguros para cozinhar para o seu cão
O frango, o peru e a carne de vaca, sem osso e bem cozinhados, são das opções mais usadas e mais bem toleradas. O peixe também pode ser incluído ocasionalmente, sempre bem cozinhado e sem espinhas. Os ovos cozinhados são uma boa fonte de proteína adicional e podem ser oferecidos algumas vezes por semana.
Ao nível dos hidratos de carbono, o arroz branco cozido, a batata-doce e a batata comum (sempre cozinhadas, nunca cruas) são bem tolerados e fáceis de digerir. Vegetais como cenoura, ervilha, abóbora e feijão verde, cozidos e cortados em pedaços pequenos, podem ser incluídos como complemento, mas nunca como base da refeição.
Como cozinhar corretamente
Cozinhe sempre a carne sem sal, sem temperos e sem qualquer tipo de molho. Não use alho ou cebola em qualquer quantidade. Certifique-se de que a carne está bem cozinhada e sem ossos - ao contrário do que acontece em dietas cruas, os ossos cozinhados ficam quebradiços e podem estilhaçar, criando um risco sério de perfuração ou obstrução intestinal.
Deixe sempre os alimentos arrefecerem antes de servir, e corte a carne e os vegetais em pedaços adequados ao tamanho do seu cão. As porções que não forem consumidas de imediato devem ser guardadas no frigorífico por, no máximo, dois a três dias, ou congeladas em porções individuais.
Suplementos que costumam ser necessários
A maior lacuna nas dietas caseiras para cães é normalmente o cálcio, já que a carne sozinha tem muito pouco e a ração comercial é formulada para compensar isso. Se a alimentação caseira for usada de forma regular, e não apenas ocasional, é habitual ser necessário suplementar cálcio (por exemplo, com carbonato de cálcio ou casca de ovo triturada, sempre com indicação de dose por parte do veterinário) e, por vezes, também óleo de peixe para ómega-3.
Sem esta suplementação, uma dieta caseira usada a longo prazo pode levar a défices que só se tornam visíveis meses depois, através de problemas ósseos ou articulares. Se utiliza este tipo de alimentação como complemento à ração, não precisa de se preocupar.
Alimentos que nunca deve dar ao seu cão
Cebola, alho, alho-francês e chalota, cozinhados ou crus, são tóxicos para os cães e podem danificar os glóbulos vermelhos. Chocolate, uvas e passas, macadâmias, massa crua com fermento, álcool e cafeína são igualmente perigosos, mesmo em pequenas quantidades. Evite também dar ossos cozinhados, pelo risco de estilhaçarem, e tempere sempre a comida do seu cão sem sal, já que o excesso de sódio não é adequado para o organismo canino.
Quando deve falar com o veterinário antes de mudar a dieta
Antes de substituir total ou parcialmente a ração do seu cão por comida caseira, fale com o veterinário, especialmente se o seu cão for um cachorro em crescimento, um sénior, ou tiver alguma condição de saúde diagnosticada, como problemas renais ou pancreáticos. Um veterinário ou nutricionista animal pode ajudar a calcular as proporções certas de cada ingrediente e confirmar que suplementos são necessários para garantir uma dieta completa e equilibrada.
Perguntas Frequentes
Posso dar frango cozido ao meu cão todos os dias? Sim, o frango cozido sem osso, sem pele e sem tempero é uma das opções mais seguras e pode fazer parte da alimentação regular do cão, desde que a dieta como um todo esteja equilibrada e, se for a base da alimentação, suplementada.
A comida caseira substitui completamente a ração do meu cão? Pode substituir, mas apenas se for corretamente planeada e suplementada, geralmente com o apoio de um veterinário nutricionista, para garantir que o cão recebe todos os nutrientes essenciais, sobretudo cálcio e fósforo em proporção adequada.
Posso dar ossos ao meu cão se forem cozinhados? Não. Os ossos cozinhados ficam quebradiços e podem estilhaçar, criando um risco sério de ferimentos na boca, no esófago ou nos intestinos. Se quiser dar ossos, procure aconselhamento veterinário sobre opções seguras.
Os cães podem comer arroz ou batata-doce? Sim, cozidos e sem tempero, são bem tolerados pela maioria dos cães e podem fazer parte da refeição, mas não devem substituir a proteína animal como base da dieta.
Porque é que o cálcio é tão importante nas dietas caseiras para cães? Porque a carne sozinha tem muito pouco cálcio, e a ração comercial é formulada para compensar essa falha. Sem suplementação adequada, uma dieta caseira usada a longo prazo pode levar a défices ósseos, sobretudo em cachorros em crescimento.
Posso dar restos da minha comida ao meu cão? Não é recomendado como prática regular, já que a comida preparada para pessoas costuma ter sal, temperos, cebola, alho ou outros ingredientes prejudiciais para os cães. Prefira preparar porções separadas, simples e sem tempero, especificamente para o seu animal.